Conexão e saúde mental
As relações, o sentimento de pertença e a saúde mental fazem parte da saúde ao longo da vida. A forma como nos sentimos e nos relacionamos influencia o bem-estar e relaciona-se também com outros pilares, como o sono, o stress e o movimento.
Por isso, olhamos para esta dimensão como parte do contexto de cada pessoa, sem reduzir a saúde mental a um questionário ou a um único indicador.
As relações também fazem parte da saúde.
A investigação tem associado relações sociais mais fortes e maior apoio social a melhores resultados de saúde e longevidade.1 Solidão e isolamento social, embora sejam conceitos diferentes, estão também associados a diferentes resultados de saúde, incluindo maior mortalidade e maior risco de doença coronária e de AVC.2,3
A saúde mental faz parte desta mesma visão alargada da saúde. Humor, ansiedade, sensação de pertença e bem-estar relacionam-se com outras dimensões da vida, incluindo sono,4 stress, movimento e contexto social.
O que se pergunta e o que se mede.
Contacto cara a cara e rede de apoio
Procuramos compreender a frequência e a qualidade do contacto com pessoas significativas e se a pessoa sente que tem alguém com quem pode contar.
UCLA-3, solidão
Instrumento breve e validado para avaliar solidão percebida.6 Ajuda a acompanhar esta dimensão ao longo do tempo.
OSSS-3, apoio social
Questionário breve que avalia diferentes dimensões do apoio social percebido, incluindo disponibilidade de ajuda e interesse por parte de outras pessoas.7
PHQ-9 e GAD-7
Instrumentos validados de rastreio de sintomas de depressão e ansiedade.8,9 Podem ajudar a identificar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada, mas não estabelecem, por si só, um diagnóstico.
Propósito de vida
O Life Engagement Test explora a perceção de envolvimento em atividades consideradas pessoalmente significativas.10 É mais uma dimensão do contexto da pessoa, não uma medida isolada de saúde ou longevidade.
O que a pessoa diz
Nenhum questionário substitui a conversa. Os instrumentos ajudam a organizar informação; compreender o que essa informação significa exige contexto e escuta.
Nenhuma destas peças se lê sozinha.
Solidão e apoio social não são a mesma coisa. Uma pessoa pode ter muitas relações e sentir-se só, ou ter uma rede pequena e sentir-se apoiada.
Questionários de saúde mental podem ajudar a acompanhar sintomas ao longo do tempo, mas devem ser interpretados juntamente com sono, stress, contexto social e aquilo que a própria pessoa relata.
Propósito, pertença e relações significativas acrescentam contexto, mas nenhuma destas dimensões define isoladamente a saúde mental de uma pessoa.
A plataforma organiza e apresenta a informação. A interpretação do conjunto pertence ao profissional de saúde.
Hábitos que ajudam a cuidar das relações e da saúde mental.
Cultivar relações significativas
Criar espaço para contacto regular com pessoas importantes pode contribuir para o sentimento de ligação e pertença.
Participar e pertencer
Grupos, desporto, voluntariado ou outras atividades partilhadas podem criar oportunidades de contacto, participação e sentimento de pertença.
Pedir ou oferecer ajuda
Pedir ajuda quando precisamos e estar disponível para os outros são formas de fortalecer relações de apoio. Quando existe sofrimento emocional persistente, procurar apoio profissional também faz parte de cuidar da saúde.
O que costumam perguntar sobre relações e saúde mental.
As relações influenciam a longevidade?
Uma meta-análise de 148 estudos e mais de 300 mil participantes encontrou uma associação entre relações sociais mais fortes e cerca de 50% mais probabilidade de sobrevivência durante os períodos estudados (Holt-Lunstad et al., 2010). É uma associação em estudos observacionais, não uma receita.
Solidão e isolamento são a mesma coisa?
Não. Uma pessoa pode ter muitas relações e sentir-se só, ou ter uma rede pequena e sentir-se apoiada. Os dois estão associados a maior mortalidade e a maior risco de doença coronária e de AVC (Holt-Lunstad et al., 2015; Valtorta et al., 2016), e por isso olhamos para a solidão percebida e para o apoio social separadamente.
O que são o PHQ-9 e o GAD-7?
Instrumentos validados de rastreio de sintomas de depressão (PHQ-9) e de ansiedade (GAD-7). Ajudam a perceber se faz sentido uma avaliação mais aprofundada, mas não estabelecem um diagnóstico; nenhum questionário substitui a conversa.
Quando procurar apoio profissional?
Quando existe sofrimento emocional persistente. Pedir ajuda faz parte de cuidar da saúde, e a conversa na consulta é o sítio para o dizer. Em Portugal, a linha SNS 24 (808 24 24 24) tem aconselhamento psicológico 24 horas por dia.
Referências (10)
- Holt-Lunstad J, Smith TB, Layton JB. Social relationships and mortality risk: a meta-analytic review. PLoS Med. 2010;7(7):e1000316. doi:10.1371/journal.pmed.1000316
- Holt-Lunstad J, Smith TB, Baker M, Harris T, Stephenson D. Loneliness and social isolation as risk factors for mortality: a meta-analytic review. Perspect Psychol Sci. 2015;10(2):227-237. doi:10.1177/1745691614568352
- Valtorta NK, Kanaan M, Gilbody S, Ronzi S, Hanratty B. Loneliness and social isolation as risk factors for coronary heart disease and stroke: systematic review and meta-analysis of longitudinal observational studies. Heart. 2016;102(13):1009-1016. doi:10.1136/heartjnl-2015-308790
- Baglioni C, et al. Insomnia as a predictor of depression: a meta-analytic evaluation of longitudinal epidemiological studies. J Affect Disord. 2011;135(1-3):10-19. doi:10.1016/j.jad.2011.01.011
- Alimujiang A, et al. Association between life purpose and mortality among US adults older than 50 years. JAMA Netw Open. 2019;2(5):e194270. doi:10.1001/jamanetworkopen.2019.4270
- Hughes ME, Waite LJ, Hawkley LC, Cacioppo JT. A short scale for measuring loneliness in large surveys. Res Aging. 2004;26(6):655-672. doi:10.1177/0164027504268574
- Kocalevent RD, et al. Social support in the general population: standardization of the Oslo social support scale (OSSS-3). BMC Psychol. 2018;6:31. doi:10.1186/s40359-018-0249-9
- Kroenke K, Spitzer RL, Williams JB. The PHQ-9: validity of a brief depression severity measure. J Gen Intern Med. 2001;16(9):606-613. doi:10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x
- Spitzer RL, Kroenke K, Williams JB, Löwe B. A brief measure for assessing generalized anxiety disorder: the GAD-7. Arch Intern Med. 2006;166(10):1092-1097. doi:10.1001/archinte.166.10.1092
- Scheier MF, et al. The Life Engagement Test: assessing purpose in life. J Behav Med. 2006;29(3):291-298. doi:10.1007/s10865-005-9044-1
As referências descrevem resultados observados em populações. Não determinam o que acontece a cada pessoa. A interpretação individual pertence ao profissional de saúde.
Os cinco pilares fazem parte da mesma abordagem.
Cuidar da saúde é pensar a longo prazo.
Na consulta, olhamos para a sua saúde, movimento e contexto para definir uma abordagem adequada às suas necessidades.